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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

POR QUE SER PROFESSOR?

Não sei é lenda, mas dizem que um milionário texano ao ver madre Tereza alimentar um doente moribundo, que regurgitava a comida a todo instante, se aproximou e disse-lhe:
- Eu não faria isso por dinheiro nenhum do mundo, irmã! Ela serenamente respondeu:
- Nem eu meu filho!
Independente da veracidade dos fatos, provavelmente, algum doente do corpo ou da alma, encontrou nos calorosos braços da madre, seu melhor instante de paz, ainda que este tenha sido seu último instante de paz.
A palavra utopia, etimologicamente, signigfica lugar nenhum; porém morfologicamente, este significado foi inicialmente ampliado para o sonho inatingivel. Dentro do contexto educacional, através da persistencia do professor Paulo Freire, este sonho ainda que não seja passível de conclusão, não nos permite fraquejar e deixar de sonhar, dando vida a ilha de Thomas More, pela magia do ato de lecionar dentro de uma prática politica.
Sem a falsa ilusão de apologia ao desapego material, pois jamais deixei de defender uma remuneração mais justa a todo profissional da educação; ser professor é mais que ser profissional, é lecionar sendo educador consciente, praticar sacerdócio social, é compartilhar com seus alunos os bons e maus momentos, é na maioria das vezes ser a única pessoa que o ouça, que o compreenda e em quem ele ainda possa confiar.
Já faz algum tempo que nós professores e professoras, percebemos que a sala de aula deixou de ser espaço em que um ensina e diversos aprendem, ela se transformou em palco social, local de discussão da sociedade que desejamos, das negociações dos conflitos, do desabafo, da realização dos sonhos, que se deixarmos de sonhar, morreremos... Ainda que permaneçamos biologicamente vivos! A escola a exemplo dos demais centros de reuniões da sociedade, não acompanha o real desenvolvimento da sociedade contemporanea, porém os professores e professoras devidamente conectados a seus alunos e alunas, são capazes de compreender estas mudanças e amenizar os conflitos em que se encontram.
É fazer da prática cotidiana, a melhor reflexão teórica. É repor nossas energias através daquela cartinha cheia de erros ortográficos, mas também repleta do mais sincero e inocente amor; justo daquele aluno ou aluna, sobre o qual acabei de desabafar:
- Não sei mais o que fazer com esta criança...
Então você lhe dá um abraço, pois ela sabe exatamente o fazer com você, entregando-lhe em um pequeno pedaço de papel, o que nenhum elogio sobre o seu trabalho, por mais bem elaborado seria capaz de substituir:
- "SUA AULA É MUNTU LEGAU"
A criança tem o direito ingênuo de não querer aprender, mas não pode o professor se apossar desta ingenuidade como artificio para não ensinar. pois se tenho consciência para exigir melhores salários, melhores condições de trabalho, também tenho consciência crítica de avaliar todo o contexto em que me encontro no meu trabalho e eu como professor tenho a obrigação de não fraquejar ou o direito consciênte de mudar de profissão.
Isso é a mais profunda utopia educacional moderna. A escola é uma ilha, onde diferentemente da sociedade individualista e consumista, que prega a todo instante o Darwinismo social, seres humanos, diferentes entre si e com diferentes potencialidades, ocupam o mesmo espaço e devem receber a mesma atenção, cabendo ao professor(a) a árdua tarefa de descobrir como cada um reage a cada desafio proposto. E por menor que pareça ser a sua contribuição para a manutenção desta entidade, ele está tão intrinsicamente ligado a ela, que sua ausência , por mais discreta que seja, é logo percebida por alguém que naquele momento o julga insubistituivel.
É por isso que escolhemos ser professores ou professoras, para sermos consumidos por nossos sonhos e por poder participar dos sonhos, daqueles que mesmo maculados pelos mais terríveis pesadelos, jamais deixarão de dormir acordados, somente pelo prazer de continuar sonhando!
prof. Gílberte

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